Embaixadores - Guilherme Fábio de Melo - UFRN
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Empresa do Rio Grande do Norte, que fabrica concreto ecológico à base de materiais reciclados, tem faturamento de R$ 3 milhões
Arquivo Pessoal
  • O engenheiro civil Guilherme Fábio de Melo, revelado nos Prêmios Santander Universidades pela sua criação em 2005, já construiu mais de 300 subestações pré-moldadas para parques eólicos com o ISO-BLOK, juntamente com seu parceiro comercial, obtido após a premiação
  • Produto é comercializado na região do Nordeste, mas o empresário espera expandir a sua atuação e aumentar a receita em mais de 30% até 2015
  • Em 10 anos da iniciativa, foram distribuídos mais de R$ 7 milhões em premiação.
  • Em 2014, o júri popular vai escolher um dos vencedores do Prêmio Santander Empreendedorismo que não terá categorias
  • A cerimônia de premiação será no dia 5 de novembro

Criar um insumo mais barato para a construção civil, que fosse ecologicamente responsável e que apresentasse a mesma eficácia de concretos convencionais, deixou de ser um sonho de pesquisador e passou a ser uma atividade real do empresário e engenheiro civil Guilherme Fábio de Melo, doutor em Ciência e Engenharia de Materiais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O projeto ISO-BLOK, um compósito de materiais reciclados constituído de concreto celular, que visa reduzir os custos e o impacto ambiental na construção civil, transformou-se em um empreendimento após ser vencedor do Prêmio Empreendedorismo 2005, na categoria Indústria. Com apelo ecológico, o elemento construtivo inovador, mais limpo e barato, é uma alternativa para lajes e paredes, por ser um material mais leve que os blocos cerâmicos usados hoje nas lajes treliçadas e pré-moldadas.

O projeto obteve tanto sucesso dentro do meio acadêmico e mercado afora que, com a parceria de duas construtoras locais, o empresário apresenta uma receita de R$ 3 milhões e um lucro acima de R$ 500 mil, com a venda de mais de 300 subestações eólicas, que correspondem a mais de mil metros cúbicos de compósitos. A ideia é crescer mais de 30% até 2015.

Desde que recebeu o prêmio, Guilherme avança no aprimoramento do trabalho com veemência. Nesses nove anos, o engenheiro concluiu as pesquisas para definição e composição dos materiais compósitos; desenvolveu um novo tipo de material altamente resistente, que até então não estava disponível no mercado nacional; realizou testes de diversos elementos utilizados na construção civil, elencando os viáveis de serem produzidos com os compósitos desenvolvidos; e consolidou a produção do produto em forma de painéis. “Identificamos na segunda fase que o ISO-BLOK é mais viável na forma de painéis e não em blocos, como foi inicialmente pensado. A partir de então, começamos a produção”, diz.

A empresa de Guilherme, a ISO-BLOK Engenharia e Tecnologia Ltda. (que leva o mesmo nome do produto) produz e comercializa, desde 2010, o compósito na forma de painel para a construção de subestações pré-moldadas para os parques eólicos da região do Nordeste, também conhecidas como shelters (na tradução literal do inglês: “abrigos”). Atualmente, ele vende o material para os estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia e, em breve, Maranhão. “A subestação é como uma pequena casa, utilizada para abrigar transformador e equipamentos eletromecânicos dos aerogeradores”, explica.

Realidade

Com o valor do prêmio, o empreendedor adquiriu equipamentos, material técnico e acadêmico para estudos e matéria prima. Para ele, o prêmio proporcionou credibilidade, confiança no mercado e junto a outros órgãos regionais e nacionais de fomento, divulgação na mídia regional e nacional, além do recurso financeiro ter permitido dar partida no projeto. “O Prêmio Santander Empreendedorismo representou a diferença entre ‘uma pesquisa a mais’ e uma pesquisa com um futuro no mercado, capaz de contribuir com a sociedade e o desenvolvimento sustentável, além de materializar o sonho de ser um empresário de sucesso”, reconhece.

Guilherme Melo explica que, devido à iniciativa do Prêmio, a sua empresa obteve aprovação em projetos de fomento como: FINEP/PRIME, FINEP/FAPERN/INOVA, FINEP/FAPERN/INOVA III, CNPQ/RHAE e BITEC, além da consolidação da parceria com o Grupo Azevedo. “Iniciativa pioneira e inovadora do Santander, primordial para contribuir com o desenvolvimento do País e, principalmente, o empreendedorismo agregado à pesquisa”.

O ISO-BLOK também recebeu o Prêmio Nacional de Inovação, da CNI (Confederação Nacional da Indústria), em 2011.

Novidades

Guilherme Fábio já está se preparando para a produção de um novo produto similar às características do projeto vencedor, que está em processo de depósito, registro e patente. A nova invenção aumentará, ainda mais, os benefícios gerados à sociedade, pois serão utilizadas brita e areia reciclada em sua formação, a fim de preservar os recursos naturais e dar o destino correto aos resíduos da construção civil.

Além disso, a sua empresa já iniciou a prestação de um serviço especializado para as construtoras da região do Nordeste, que atua com o controle tecnológico de concreto, argamassa, grout, tijolos cerâmicos e blocos de concreto para oferecer melhorias à qualidade das obras.

Já foram feitas diversas pesquisas em ambiente acadêmico, como teses e artigos científicos publicados em congressos nacionais e internacionais, com índices altamente favoráveis sobre a eficácia do produto. “O compósito é utilizado no setor de energia eólica, altamente benéfico e sustentável, tanto para a sociedade como para o meio ambiente. É a perfeita união de energia limpa com o material sustentável e ecologicamente correto”, afirma.

Mesmo com o sucesso conquistado até agora, com novas parcerias, projetos de fomento à pesquisa e seu faturamento, Guilherme Fábio quer mais. Ele espera consolidar cada vez mais os seus produtos no mercado brasileiro, pesquisar novas aplicações e novos produtos, inovando sempre. “O Prêmio Santander de Empreendedorismo foi uma grande oportunidade e um primoroso incentivo para que eu não desistisse de acreditar no potencial do produto/projeto idealizado, o qual norteou a pesquisa do meu curso de doutorado”, afirma.