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Proposta de produzir a segunda geração do etanol, que poderá ser extraído de diversas plantas, ganha o Prêmio Santander Ciência e Inovação 2014
Arquivo Pessoal
  • Plantas variadas, madeiras e até capim poderão ser transformados em etanol por meio de micro-organismos modificados (leveduras), de acordo com o projeto do professor Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
  • Pesquisador pretende captar entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões para o desenvolvimento da pesquisa, em 2015, e licenciar os micro-organismos a partir de 2016>/li>
  • Em 10 anos da iniciativa, foram distribuídos mais de R$ 9 milhões em premiação

A proposta de produzir a segunda geração do etanol a partir de diversas plantas, madeiras e até capim, por meio de micro-organismos modificados (leveduras), aumentando a capacidade de produção do combustível no país e reduzindo o seu custo, venceu o Prêmio Santander Ciência e Inovação de 2014, na categoria Biotecnologia, no dia 5 de novembro. O projeto, chamado Desenvolvimento de uma plataforma de construção de microrganismos para a produção de químicos renováveis, é liderado pelo professor Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, do Departamento de Genética Molecular e Biotecnologia do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

 

O pesquisador explica que as leveduras são micro-organismos capazes de produzir etanol a partir do açúcar, por meio de uma série de reações bioquímicas. “Estamos modificando geneticamente essas leveduras para que elas consigam fazer outras moléculas de interesse industrial, que não sejam formadas apenas a partir de células existentes na natureza. Para produzir esses novos reatores, empregamos técnicas de engenharia genética ou biologia sintética”, descreve. As empresas que utilizarão o produto serão usinas de segunda geração, como a BioFlex I da empresa GranBio, e a sociedade se beneficiará pela possibilidade de usar um combustível renovável e de menor custo. O objetivo principal é converter açúcar a partir de matérias de baixo custo, como palha de cana, capim e vários tipos de plantas, para produzir etanol, butanol e outros produtos químicos. “Dessa forma, conseguimos desenvolver tecnologias efetivamente capazes de substituir o petróleo, que é uma fonte não renovável de energia e de uso altamente prejudicial para o planeta, por uma matéria-prima renovável, vinda da agricultura e de restos agrícolas”, afirma Pereira.

As leveduras já são aplicadas na chamada indústria de segunda geração. O professor dá o exemplo da empresa GranBio, que já iniciou a produção de etanol com micro-organismos modificados geneticamente em Alagoas. Uma das vantagens sobre o etanol “de primeira geração” é que, enquanto este é extraído da cana-de-açúcar, que tem um limite de produção por hectare, o novo etanol pode ser produzido a partir de diversas fontes vegetais, incluindo as áreas impróprias para o cultivo de alimentos. Isso aumenta a capacidade de produção do combustível e diminui o seu custo. “O etanol é apenas o começo. Praticamente toda a indústria petroquímica e de combustíveis poderá ser substituída por essa nova tecnologia, deixando de lado a necessidade do uso prioritário do petróleo”, destaca o professor. Isso beneficiará toda a sociedade, segundo ele.

Incentivo e exemplo

Na opinião do pesquisador da Unicamp, o prêmio recebido é um grande incentivo à educação e ao desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro. “O principal benefício realmente é o do exemplo, para que principalmente os jovens vejam que há incentivo para a dedicação aos estudos. Que esses estudos podem fazer deles cientistas e inventores e que o produto desse trabalho tem grande impacto e prestígio junto a sociedade”, diz. Pereira acrescenta que, para a universidade, o reconhecimento representa a certeza de estar no caminho certo: o de fomentar a ciência de alta qualidade e a tecnologia.

Para 2015, o professor espera ter leveduras produtoras de etanol de segunda geração no mercado. A expectativa é captar entre R$ 2 milhões e 5 milhões no próximo ano, para continuar o desenvolvimento da pesquisa e licenciar os micro-organismos a partir de 2016.

“Essa premiação é extremamente importante para a minha carreira. Um reconhecimento para a relevância dessa linha de pesquisa no país e uma demonstração, para os alunos, de que esse é o caminho. A iniciativa do Prêmio Santander é extraordinária. É uma forma de o setor produtivo se conectar em altíssimo nível com a academia, mostrando o valor dessa e a sua importância para o desenvolvimento da sociedade”, conclui.