Embaixadores - Alan Ricardo Duarte Pereira - UFG
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Graduação de História em Portugal fortalece pesquisa no Brasil e gera oportunidade de doutorado no exterior.
  • Beneficiado pelo programa de bolsas Luso-brasileiras, promovido pelo Santander Universidades, Alan Ricardo Duarte Pereira, graduando de História na Universidade Federal de Goiás, reforça a sua pesquisa sobre a capitania de Goiás no século XVIII e busca por especialização em Portugal
  • Estudante publica artigo em revista acadêmica e é parabenizado pela sua atuação no intercâmbio


Estudar no exterior e conhecer outros povos e diferentes culturas é sempre uma oportunidade para ampliar os horizontes do conhecimento, mas para Alan Ricardo Duarte Pereira, graduando de História na Universidade Federal de Goiás (UFG), um intercâmbio realizado em Portugal não só fortaleceu o seu aprendizado, como abriu novas portas para a sua carreira acadêmica. Ao dar continuidade à sua graduação em Lisboa, ele conseguiu aprimorar uma pesquisa e ainda planejar um doutorado em solo português.

Alan Ricardo Duarte Pereira-1.jpgArquivo Pessoal

Esse leque de oportunidades na vida do jovem universitário é resultado de sua participação no programa de bolsas Luso-brasileiras Santander Universidades 2013, voltado para estudantes de instituições de ensino federais e estaduais brasileiras. A iniciativa tem o objetivo de estimular a cooperação educacional e cultural entre Brasil e Portugal, por oferecer bolsas de estudos em universidades portuguesas.

A nota acima da média, com o índice de 96.63, e um bom currículo levaram Alan para Portugal, de acordo com a análise da Coordenadoria de Assuntos Internacionais (CAI) da UFG, que se pautou no histórico escolar dos alunos inscritos.

No início do ano de 2013, em pleno verão escaldante goiano, Alan fez suas malas para enfrentar o inverno europeu e desfrutar de um vasto repertório cultural. Durante os meses de janeiro e agosto, ele frequentou o curso de História, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, na cidade de Lisboa, capital do país.

No programa, ele cursou três disciplinas. A aula Historiografia abordou trajetória teórico-empírica do conhecimento histórico, desde a antiguidade até o período moderno e, especificamente, a historiografia portuguesa. Em Paleografia, ele estudou as formas de escrita no período medieval e o jeito adequado de ler um documento histórico. História da Construção do Brasil enfocou a conquista do Brasil pelos portugueses, a economia colonial e os momentos predecessores da vinda da família Real para o Brasil em 1808. Além das aulas de história, ele também teve acesso a pesquisas de cunho bibliográfico. A ótima notícia é que foi possível integrar todas as disciplinas cursadas no exterior com as do Brasil, reconhecidas pela UFG. "Sem dúvida, a aula de História da Construção do Brasil foi a que me trouxe benefícios. Entrei em contato com uma bibliografia portuguesa sobre o Brasil e de autores ingleses e franceses. Do mesmo modo, a disciplina me proporcionou um alargamento conceitual e epistemológico da História do Brasil e permitiu, a um só momento, o diálogo com outras fontes históricas", diz. Para ele, a maior riqueza do intercâmbio foi dialogar com outras pessoas e aceitar opiniões diferentes, tanto bibliográfica como historiográfica.

Na referida aula, o universitário presenciou, de maneira prática, a experiência de estudar a História do Brasil, pela perspectiva da nação que o colonizou por muito tempo. "O conhecimento histórico valoriza a multiplicidade de abordagens e conceitos elaborados por diferentes culturas e saberes. Durante a disciplina aplicamos, integralmente, essa perspectiva ao estudo da história do Brasil, a partir de outras referências conceituais e historiográficas", explica.

Na concepção de Alan, o seu aprendizado ultrapassou as páginas do livro e se solidificou pelo contato com estudantes de outros países, novas culturas, os museus de Lisboa e o fato de ter aprimorado a língua inglesa ao se comunicar com os estrangeiros.

Biblioteca de conhecimentos

É possível resumir a experiência do futuro historiador em uma palavra: acervo. O intercâmbio pelo Luso-brasileiras foi além de suas expectativas, no que diz respeito a ampliar seus conhecimentos. Alan pôde reunir tudo o que aprendeu no exterior com a sua pesquisa sobre a capitania de Goiás no século XVIII, realizada no Brasil, por meio de uma bolsa de estudos promovida pelas CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). "A estadia em Portugal possibilitou não somente o contato com autores portugueses, mas, sobretudo, o acesso aos documentos relativos à Goiás", informa.

As disciplinas cursadas estavam totalmente relacionadas com o seu trabalho, o que permitiu que Alan ampliasse a sua gama de investigação. "Aproveitei para pesquisar nos arquivos. Primeiramente, na Torre do Tombo, nas fontes da Chancelarias de D.Maria I, do Registro Geral de Mercês, das Habilitações à Ordem de Cristo e dos Registros Paroquiais; na Biblioteca Nacional de Lisboa, na produção de livros e documentos referente ao Brasil Colônia e, em particular, da Capitania de Goiás. Nesse período, o professor Dr. Pedro Cardim, da Universidade Nova de Lisboa, nos orientou e permitiu o acesso a uma bibliografia profícua no Centro de História Além-Mar, coordenado por ele", lembra.

Nem a saudade da família e o desafio de se tornar independente impediram a determinação do futuro pesquisador em concretizar os seus objetivos. No fim do curso, ele foi parabenizado pelo excelente desempenho no programa e também publicou o artigo "Implicações e reflexões da nobreza no período moderno: uma nota introdutória", na revista Espaço Acadêmico, que pode ser consultado em: http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/20855

E seus anseios em relação às terras portuguesas não terminaram. Assim que se graduar, Pereira pretende retornar a Portugal para dar continuidade as suas pesquisas no mestrado — no momento, ele está no processo seletivo na UFG e Unb — e, possivelmente, pleitear uma bolsa de doutorado pleno no país, porque ele planeja seguir a carreira de professor e pesquisador. "O intercâmbio abriu portas para efetivar minha pesquisa. Bue da fixe! (Na tradução: Muito legal! Expressão de origem angolana utilizada em Portugal)", diz.

Capitania de Goiás no século XVIII – por Alan Ricardo Duarte Pereira

A pesquisa sobre a capitania de Goiás no século XVIII, que está sendo desenvolvida por Alan, tem como objetivo analisar, a partir da concessão de patentes, mercês e privilégios aos habitantes da capitania de Goiás, a dinâmica social envolvendo, especialmente, a constituição do estatuto de nobre entre o período de 1.770 e 1.790. Para isso, o estudo propõe no conceito de nobreza no período moderno e, simultaneamente, na América portuguesa de Ancien Regime, a consolidação de nobres na capitania de Goiás. O trabalho é pautado na análise das Cartas Patentes requeridas no sertão dos Guayazes, que estão na documentação avulsa do Arquivo Histórico do Ultramarino, como os documentos da Torre do Tombo, destacando-se, em geral, as Chancelarias de D. Maria I, Registro Geral de Mercês, Habilitações à Ordem de Cristo e Registros Paroquiais. "A nobreza da terra resgatada nesse projeto de pesquisa é, nesse sentido, um elemento fulcral para se entender, coesamente, a sociedade de Goiás, no fim do século XVIII. Essa documentação preliminar serviu, inicialmente, como microscópio analítico e, por isso, capaz de descortinar e compreender, com afinco, a sociedade que nasceu em Goiás", explica.

Foi possível verificar a frequência com que apareceram as expressões e conceitos como nobreza, nobres, vassalos, que surgiram durante o século XVIII na capitania de Goiás. "Tudo isso mostrou, em certo sentido, um projeto de enobrecimento para quem ocupasse, seja temporariamente ou de modo definitivo, a capitania de Goiás".

Serviço

Mais informações sobre o Programa Santander de Mobilidade Internacional:

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